Minha origem e meu perfil
Oi! Sou Nivedita Gulia, sou de Delhi, na Índia, e morei no Oriente Médio a vida toda. Passei cerca de cinco anos da minha infância nos Emirados Árabes Unidos e depois vivi o restante da minha adolescência no Catar.
Concluí meus estudos na Delhi Public School Modern Indian School (DPS-MIS), no Catar, em 2026. Hoje, estudo Engenharia de Computação na Universidade de Waterloo, no Canadá.
A pressão para ter um plano
Durante todo o ensino médio, participei do programa FIITJEE, que tinha uma carga de estudos pesada. Eu costumava chegar da escola por volta das 17h e também tinha aulas extras aos sábados. Conciliar tudo era uma correria, especialmente para uma estudante do ensino médio.
Ao mesmo tempo, participava de várias atividades extracurriculares, como competições de debate, simulações da ONU, críquete e xadrez. Eu praticava muitas dessas atividades havia cerca de quatro a seis anos, o que me ensinou a importância da constância e da gestão do tempo. Conciliar uma rotina acadêmica exigente com esses compromissos nem sempre era fácil, mas me ajudou a aprender a dividir meu tempo entre diferentes prioridades.
Olhando para trás, eu não diria que não fazia ideia do que estava fazendo. Simplesmente não acho que você precise ter tudo definido na adolescência. Você não precisa planejar todos os rumos que sua vida pode tomar nem saber exatamente aonde vai chegar.
Existe muita pressão para que os jovens tomem decisões sobre o futuro antes de terem a chance de explorar todas as opções. Mas não acho que a incerteza signifique que você esteja fazendo algo errado. Às vezes, você pode ter uma direção geral sem saber cada passo que vai dar para chegar lá.
Escolhendo o desconhecido
No ensino médio, cursei disciplinas de nível avançado, como física, química, matemática e biologia. Embora elas tenham me dado uma formação voltada às ciências, a engenharia de computação ainda era uma área diferente do que eu havia estudado antes.
Eu já tinha trabalhado em projetos de tecnologia, incluindo a criação de aplicativos e sites, mas não tinha uma base formal em engenharia de computação. Muito do que estou aprendendo agora é novo para mim.
Isso pode intimidar quando você está entrando em um curso universitário exigente, especialmente quando sente que os outros estudantes talvez já tenham mais experiência. Mas acredito que aprender faz parte do processo. Você não precisa saber tudo antes de começar.
Não há problema em seguir algo que você acha que combina com você, mesmo sem ter certeza de como vai ser. Muitas vezes, esperam que a gente decida o futuro ainda muito jovem, mas explorar uma área é uma forma de descobrir se ela realmente combina com você.
Você pode aprender muito ao longo do caminho e não precisa deixar que o medo de não saber o suficiente impeça você de tentar.
Perfil acadêmico e extracurricular
Quando me candidatei às universidades, fiz o SAT e o IELTS. Minha nota no SAT foi mediana, e eu tinha a opção de não incluí-la nas candidaturas porque as universidades canadenses que considerei não exigiam nem davam muita ênfase ao SAT em seus processos seletivos. Minha nota no IELTS foi 7,5, o que considerei um ponto forte para demonstrar minha proficiência em inglês.
Na parte acadêmica, mantive notas em torno de 90% do 10º ao 12º ano escolar. Durante o 12º ano, também estava me preparando para entrevistas e esperando a divulgação das notas finais para enviá-las como parte das minhas candidaturas.
Pelo que entendo do processo seletivo, os requisitos acadêmicos variam entre universidades e cursos. Por isso, é importante pesquisar os requisitos específicos dos cursos que interessam a você, em vez de se basear em um único padrão geral.
Fora da sala de aula, eu era diretora do clube de ciências da minha escola, onde ajudava a organizar feiras de ciências, orientar estudantes mais novos e coordenar iniciativas voltadas à participação e à acessibilidade nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).
Também participei de simulações da ONU (Model United Nations) por dois anos antes de passar a presidir vários comitês nos últimos anos do ensino médio. Ao longo da minha participação no MUN, ganhei experiência em discussões e assumi responsabilidades que iam além do papel de delegada.
Os esportes também foram uma parte importante da minha experiência no ensino médio, especialmente o críquete. Joguei na equipe da minha escola por três anos, período em que conquistamos lugares no pódio de forma consistente. Nos dois anos seguintes, fui capitã da equipe. Trabalhamos em conjunto, com treinos regulares e decisões estratégicas, incluindo o posicionamento em campo, para evoluir como equipe.
O xadrez era igualmente importante para mim. Representei minha escola em competições entre escolas e em campeonatos nacionais, e fui selecionada para a Seleção Nacional de Xadrez Sub-17 do Catar. Também fundei um clube de xadrez na minha comunidade, onde eu podia orientar iniciantes, treinar com outros jogadores e organizar atividades e competições.
Preparar minhas candidaturas às universidades teve seus desafios. Encontrar trabalho remunerado, oportunidades de voluntariado e estágios no Catar podia ser difícil por causa das restrições de idade e dos critérios de elegibilidade. Como estudante menor de 18 anos, percebi que algumas oportunidades disponíveis para candidatos mais velhos eram menos acessíveis para mim.
Entendo a importância de proteger os jovens de condições de trabalho exploratórias. Ao mesmo tempo, quando você está tentando ganhar experiência e fortalecer suas candidaturas às universidades, ter menos oportunidades pode tornar o processo mais difícil.
Mas existem alternativas. Os estudantes podem procurar iniciativas de voluntariado lideradas por jovens, oportunidades dentro da escola e outras experiências acessíveis a eles. Às vezes, você precisa tomar a iniciativa de buscar oportunidades, em vez de esperar que elas cheguem até você.
Por que Waterloo?
Ao pensar na universidade, eu estava avaliando duas opções principais: estudar na Índia ou estudar no exterior.
Na minha visão, estudar em uma universidade de destaque na Índia pode oferecer uma formação comparável à de uma universidade no exterior. A qualidade da educação importa independentemente de onde você escolhe estudar.
Mas estudar no exterior oferece experiências que vão além da sala de aula. Você passa a fazer parte de uma comunidade diversa enquanto aprende a viver de forma independente e a se virar em um ambiente desconhecido. Também precisa cuidar dos aspectos práticos do dia a dia, desde organizar suas responsabilidades até tomar decisões por conta própria.
Eram essas experiências que eu queria viver para me desafiar, o que fez de estudar no exterior a minha opção preferida.
Eu me candidatei a outras quatro universidades no Canadá e fui aceita na McMaster University e na Queen's University. As duas eram opções atraentes, inclusive com ofertas de bolsas de estudo, então escolher Waterloo não foi uma decisão fácil.
Como estudar no exterior envolve gastos significativos, conversei com vários orientadores de candidaturas universitárias para me ajudar a avaliar minhas opções. Sem bolsa de estudo ou outro apoio financeiro, estimei que o custo chegaria a cerca de $77.000 por ano.
No fim, Waterloo me atraiu pelo curso de engenharia, pela reputação acadêmica e pelo prestígio na área. As questões financeiras também tiveram um peso grande na minha decisão.
Embora as outras universidades oferecessem bolsas atraentes, o auxílio financeiro tornou Waterloo uma opção mais viável para mim. Para o primeiro ano, recebi $17.000 de apoio para pagar as mensalidades.
Aprendendo a morar sozinha
Minha adaptação ao Canadá tem sido tranquila e, no geral, bem de boa.
Uma coisa de que gostei muito foi o quanto as pessoas são simpáticas e prestativas. Muitas vezes, elas se dispõem a ajudar ou dar conselhos sem que você sequer peça, o que torna a adaptação a um novo ambiente muito mais fácil.
Mas, vindo do Catar, onde muitas tarefas do dia a dia são práticas e acessíveis, precisei me adaptar a uma forma diferente de viver.
Mudar para o exterior significa assumir a responsabilidade por mais aspectos da sua rotina. Você precisa cuidar das refeições, lavar suas roupas, organizar seus horários e equilibrar as responsabilidades acadêmicas com tudo o mais que quer fazer.
Quando cheguei, não achava que a adaptação seria particularmente difícil. Não foi necessariamente uma grande luta, mas aos poucos percebi o esforço que é administrar a própria vida enquanto tento acompanhar o ritmo de todo mundo.
Ter as pessoas certas ao seu lado torna tudo muito melhor.
Encontrei minha turma durante a recepção aos calouros da universidade. Embora a taxa fosse de cerca de $140, achei que as atividades e as oportunidades de conhecer outras pessoas valeram a pena. A recepção é um daqueles raros momentos em que todo mundo está procurando fazer amigos, então puxar conversa parece mais natural.
Todo mundo está se adaptando a um novo ambiente ao mesmo tempo. Você não precisa ser a pessoa mais extrovertida do lugar para conhecer gente ou encontrar uma comunidade à qual sinta que pertence. As amizades que você faz durante a recepção podem deixar a vida universitária muito mais leve, especialmente quando você está começando do zero em outro país.
Depois de cerca de um mês, fica mais fácil se adaptar. Você começa a conhecer os arredores, estabelecer rotinas e encontrar seu lugar na comunidade. Viver de forma independente traz enormes responsabilidades, mas ter com quem contar torna a experiência muito mais fácil de administrar.
O efeito Waterloo
Encontrar meu lugar fora da sala de aula foi apenas uma parte da adaptação. Também precisei me acostumar às exigências acadêmicas da universidade.
Como estudante de Engenharia de Computação, minha rotina pode ser bem corrida.
Em alguns aspectos, o ambiente me lembra a DPS, principalmente pela estrutura da rotina acadêmica. Geralmente acordo por volta das 7h, e as aulas começam às 8h30. Levo cerca de 20 minutos para caminhar de onde moro até o campus e costumo voltar para casa entre 16h e 17h, depois das aulas.
Engenharia de computação é um curso exigente, e o conteúdo pode ser difícil. Nesta fase, estamos vendo assuntos que podem lembrar o que estudei no 12º ano, mas as questões das provas são muito mais desafiadoras. Conceitos familiares podem se tornar consideravelmente mais complexos quando você precisa aplicá-los no nível universitário.
Quanto à alimentação, felizmente há muitas opções no campus, e tenho um plano de refeições com um saldo definido que posso usar para comprar comida. Com a minha rotina, ter acesso a refeições prontas é prático, porque nem sempre tenho tempo para cozinhar.
Quanto ao chamado efeito Waterloo, já consigo perceber como o ambiente incentiva os estudantes a manter o foco. A carga de estudos exige muito comprometimento, e acompanhar tudo requer disciplina.
Há dias em que mal consigo arranjar tempo para encontrar meus amigos. Cada um tem suas próprias responsabilidades e, às vezes, os estudos precisam vir em primeiro lugar. Ainda assim, encontramos oportunidades de passar tempo juntos e nos divertir.
O efeito Waterloo é real, mas não acho que isso signifique que você precise sacrificar todo o resto da sua vida. Encontrar maneiras de administrar a carga de estudos, manter as amizades e reservar tempo para si pode ajudar você a lidar com essas experiências.
Uma carreira ainda em construção
Quando penso nos próximos capítulos da minha vida, ainda estou descobrindo o que é melhor para mim. Embora esteja estudando Engenharia de Computação, também tenho me candidatado a vagas de marketing.
Não acho que escolher um curso signifique assinar um contrato permanente para seguir a mesma carreira pelo resto da vida. Seus interesses podem mudar, e você pode descobrir novas oportunidades à medida que ganha experiência. Ainda estou aprendendo do que gosto e que direção talvez queira seguir.
Acho importante lembrar que seu curso universitário não precisa determinar todos os aspectos do seu futuro. Você pode explorar diferentes interesses, considerar caminhos alternativos e fazer os ajustes necessários conforme vai se conhecendo melhor.
Você não precisa saber exatamente o que está fazendo em todas as fases. O que importa é estar dando passos em direção a algo, mesmo sem saber o que isso pode ser. Se, em algum momento, perceber que determinado caminho não combina com você, isso não significa que o tempo que dedicou a ele foi desperdiçado. Você aprendeu algo fundamental sobre si e pode usar esse conhecimento para tomar uma decisão mais consciente sobre o que vem a seguir.
Dê uma chance a você
Se há uma coisa que eu gostaria que os leitores levassem da minha experiência, é que se permitam tentar. Experimente coisas novas e não tenha tanto medo de correr riscos ao fazer algo.
Se você está com medo, vá com medo mesmo.
Quando você fica com receio de tentar algo novo, pode começar a pensar: E se eu não conseguir? E se eu fracassar? E se alguém me julgar? De repente, essas perguntas podem pesar tanto que acabam impedindo você de sequer tentar.
Mas pense em tudo o que você pode perder se deixar esses medos tomarem todas as decisões por você.
Às vezes, as pessoas que você se preocupa em impressionar ou decepcionar nem vão lembrar daquele momento com a mesma clareza que você. E, mesmo quando as coisas não saem como você esperava, isso não significa que a experiência não teve valor.
Se der certo, você ganha uma oportunidade e uma experiência da qual pode se orgulhar. Se não der, ainda assim aprende algo que pode ajudar na próxima tentativa. Você não vai ter todas as oportunidades de novo exatamente do mesmo jeito, e não consegue prever todos os resultados antes de começar. Pode passar tanto tempo pensando demais em uma decisão que nunca se dá a chance de descobrir o que poderia acontecer.
Aproveite essa chance. Experimente aquela atividade, busque aquela oportunidade, explore o caminho que você vem considerando. Você não precisa estar totalmente confiante antes de começar.
Se não acontecer do jeito que você queria, não aconteceu. Mas, se acontecer, você conseguiu chegar lá.







