Olá! Eu sou a Anastasia Kirschner. Estou prestes a entrar no penúltimo ano do ensino médio na Romênia, no National Bilingual College George Coșbuc. Estou prestes a completar 17 anos e gosto de tocar piano e desenhar. Sempre foi meio que um sonho meu visitar a Alemanha, já que, curiosamente, meu sobrenome é de origem alemã!
Descobrindo o Erasmus+: De Bucareste à Alemanha
Minha escola divulga os diferentes projetos e programas de intercâmbio dos quais você pode participar, e foi assim que descobri o Erasmus+, que é um programa de intercâmbio entre estudantes de diferentes países europeus. As formas mais fáceis de acessar esses programas são pela sua escola, caso ela participe do esquema de projetos Erasmus+, ou procurando oportunidades fora da escola no site oficial. Antes de eu viajar para a Alemanha, já tínhamos recebido estudantes da Itália e da Espanha na nossa escola para uma oficina de genética, o que me deu uma ideia de como poderiam ser os projetos internacionais.
O processo de seleção foi um pouco confuso, já que nossa professora responsável pela turma nos informou que havia apenas 6 vagas disponíveis para a Alemanha. Tive a sorte de ser selecionada por causa da minha paixão pela biologia, já que mantive uma média de 10/10 nos últimos dois anos, e também pela minha proficiência em alemão, idioma que estudo há 6 anos. Também estive envolvida em outras atividades escolares, como participar de uma adaptação em alemão de Branca de Neve. Não foi necessário comprovar minha proficiência em inglês, já que estudo em um colégio bilíngue e já tinha feito meu FCE.
Quanto ao motivo de eu ter aceitado, a resposta é bem simples: eu queria visitar a Alemanha desde pequena. Também estava animada para conhecer pessoas novas de diferentes países, então parecia que eu não tinha nada a perder ao aproveitar a oportunidade!
Custos
O maior gasto foram as passagens aéreas, que ficaram em torno de €321. As excursões custaram cerca de €100, principalmente porque visitei tanto Munique quanto Ulm. Os €337 restantes cobriram as passagens de trem (€62), o dinheiro para gastos pessoais (€60) e a hospedagem, incluindo café da manhã e divisão de quarto com outra pessoa (€215 pela minha parte do quarto). O valor total também incluiu uma pequena contribuição para cobrir as despesas dos professores.
Primeiras Impressões e Novas Experiências
Antes de viajar para a Alemanha, eu não tinha uma imagem específica do que esperar. Sempre imaginei o país como muito limpo, ecológico e moderno, e ele não deixou a desejar! Além disso, pensei que teríamos a chance de praticar mais o alemão, mas isso não aconteceu, já que o inglês era mais prático para todo mundo.
O que mais me animava era conhecer pessoas da minha idade de diferentes países. Estudantes da Grécia, da Alemanha, da Letônia e da Romênia participaram do projeto, o que fez a experiência parecer verdadeiramente internacional. Ao mesmo tempo, eu estava um pouco nervosa por ter que trabalhar em equipe e falar na frente de todo mundo, especialmente porque não me sinto muito à vontade falando em público. Cheguei até a fazer uma apresentação no segundo dia sobre minha escola e falar sobre nosso coral, já que sou integrante dele. No entanto, me acostumei rapidamente com tudo.

A própria viagem também foi uma experiência, já que foi a primeira vez que voei. Voamos para Munique e depois viajamos de trem passando por Ulm até finalmente chegarmos a Heidenheim an der Brenz. Enquanto Munique foi interessante pelo seu tamanho e pelo transporte público extenso, Heidenheim se tornou muito mais marcante para mim, pois foi onde realmente ficamos hospedados e onde pude vivenciar o dia a dia na Alemanha. Também fiquei animada para avistar algumas espécies de aves comuns em toda a Europa e até na Romênia, mas muito mais difíceis de ver em uma cidade como Bucareste, incluindo um verdilhão, um tentilhão-comum e um pica-pau-malhado-grande. Até o clima acabou sendo uma experiência à parte, mudando de um leve frio para neve, sem nenhum aviso.
Três Dias de Sustentabilidade e Democracia
Embora toda a viagem tenha durado 5 dias, as oficinas do Erasmus+ propriamente ditas aconteceram ao longo de três dias. Os temas centrais do projeto eram sustentabilidade e democracia, e todos os dias tínhamos um conjunto diferente de atividades. No primeiro dia, depois de chegarmos a Heidenheim an der Brenz, tivemos um tempo para desfazer as malas, relaxar e explorar a cidade antes de nos encontrarmos com todo mundo no Stattgarten, onde tivemos uma atividade noturna focada em nos conhecermos melhor.
Dia 1: Conhecendo Heidenheim an der Brenz
No nosso primeiro dia completo por lá, ficamos em Heidenheim e visitamos a escola local. As salas de aula pareciam familiares em alguns aspectos, mas a escola em si era muito bem equipada, com um refeitório, muitos laboratórios de ciências, uma sala de arte cheia de materiais e uma sala de música repleta de instrumentos diferentes. Eles até tinham uma sala especial para projetos, planejada para trabalho em grupo, com mesas e cadeiras flexíveis, além de vários quadros brancos e quadros digitais, que usamos para apresentar as nossas próprias escolas. Depois fomos divididos em grupos internacionais para a nossa primeira oficina.
Nossa tarefa era simular um debate sobre se uma floresta deveria ser derrubada para a construção de um centro juvenil. Meu grupo representava a prefeitura, enquanto outros interpretavam ativistas ou donos de negócios locais. Tivemos que elaborar argumentos e chegar a uma conclusão. Decidimos que parte da floresta poderia ser usada para o centro juvenil, desde que o projeto fosse pensado para ser sustentável e não prejudicasse o resto da floresta. Mais tarde naquele dia, exploramos a cidade por meio de uma caça ao tesouro, dessa vez em equipes formadas por cada país, e também visitamos o Castelo de Hellenstein.
Dia 2: Arte e Sustentabilidade em Munique
No segundo dia, voltamos a Munique e começamos com uma visita à Pinakothek der Moderne, um dos maiores museus de arte contemporânea da Europa. Depois disso, tivemos um tempo livre para explorar o centro da cidade, ao mesmo tempo em que completávamos uma tarefa. Tínhamos que encontrar e fotografar símbolos ligados à paz, à democracia e à sustentabilidade. Acabei tirando uma foto de um enorme estacionamento de bicicletas, que chamou minha atenção. Minha outra descoberta foi um pouco menos bem-sucedida. Confundi a Coluna de Santa Maria com o Anjo da Paz. E embora ambos estejam ligados à paz, ainda assim errei na parte da democracia, já que a estátua que encontrei foi encomendada por um rei como um ato de gratidão depois que Munique foi poupada durante a Guerra dos Trinta Anos.
Mais tarde naquele dia, fomos ao Museu BMW para outra oficina sobre sustentabilidade. Trabalhamos em equipes e participamos de quizzes e jogos sobre reciclagem e materiais sustentáveis. Uma das atividades consistia em associar materiais a alternativas menos poluentes, como as bolinhas de isopor usadas em embalagens com versões feitas de xarope de milho ou amido.
Dia Três: De 700 Degraus à Democracia Digital
No terceiro dia, fomos a Ulm, e nossa primeira parada foi na Catedral de Ulm, onde tivemos a oportunidade de subir 768 degraus muito estreitos e ver uma vista de 360 graus de toda a cidade. Infelizmente, fui a única do meu grupo que quis subir. Em certo momento, eu estava lidando com uma combinação de claustrofobia e medo de altura, especialmente porque estava basicamente sozinha. No entanto, assim que cheguei ao topo, a vista valeu a pena.

Depois disso, voltamos para Heidenheim e participamos de uma oficina sobre leis na era digital. Entrevistamos Moritz Heuberger, um político alemão que havia estudado no Hellenstein Gymnasium, a escola alemã com quem colaboramos neste programa. Conversamos sobre como diferentes leis precisam se adaptar ao mundo digital, especialmente porque cada vez mais partes das nossas vidas migram para o ambiente online, além da dificuldade de regular espaços que estão em constante mudança. Uma coisa que ficou na minha cabeça foi como a desinformação e a inteligência artificial generativa podem desafiar a democracia no mundo digital.
Encerramos o dia com um churrasco organizado pelos pais dos estudantes alemães, realizado em algum lugar fora de Heidenheim, perto de uma floresta.
O Que Eu Levo do Erasmus+
Conhecendo Pessoas e Vivenciando Diferenças Culturais
Os estudantes da Alemanha, da Letônia e da Grécia eram sociáveis e acolhedores, o que tornou fácil me sentir à vontade. Os estudantes alemães foram especialmente generosos, organizando um churrasco, nos mostrando a região e até nos ajudando a voltar para o quarto do hotel depois. No geral, eles pareciam muito envolvidos em todos os projetos da escola. Enquanto estava lá, também notei algumas diferenças culturais engraçadas, como a seriedade com que todos levavam a pontualidade e a quantidade impressionante de tipos diferentes de pão no café da manhã. Outro pequeno ajuste foi o quão cedo as lojas fechavam; como ficamos em uma cidade pequena, a maioria dos lugares já estava fechada por volta das 17h ou 18h.
Saindo da Minha Zona de Conforto
Essa experiência também me tirou da minha zona de conforto, já que acho falar em público um pouco desafiador. Ao longo da semana, tive que me apresentar e falar na frente de várias pessoas, além de trabalhar em grupos internacionais com estudantes que eu tinha acabado de conhecer. Precisei me comunicar com clareza e colaborar com pessoas fora do meu círculo habitual. Claro, houve momentos em que fiquei nervosa, quis um tempo para relaxar ou senti falta dos meus pais, mas, no geral, me adaptei rapidamente.
Uma Semana de Aprendizados
Olhando para trás, acho que esse programa Erasmus+ me ensinou a ser mais organizada e mais disposta a agir. As oficinas me mostraram que aprender sobre questões envolvendo sustentabilidade e democracia é importante, mas colocar essas informações em prática importa ainda mais. No final das contas, se eu pudesse dar um conselho para quem está pensando em participar de um projeto Erasmus+, seria simples: vá em frente. Mesmo que você tenha que repor algumas aulas quando voltar, a chance de viajar, conhecer pessoas novas e ver perspectivas diferentes vale a pena.



