Voltar para Todas as Stories

29 de outubro de 2026

Da Jamaica a Stanford: a liberdade de explorar diferentes áreas de estudo

author image

Jonathan de Jamaica 🇯🇲

Preview Image
Logo of Stanford University

Quando Jonathan Shaw chegou aos Estados Unidos para fazer faculdade, precisou aprender que “What’s up?” — algo como “E aí?” — nem sempre era uma pergunta.

“Era assim: ‘Ah, oi, e aí?’. E aí você continua andando”, lembrou. “Eu não esperava por isso.”

Essa foi uma das muitas pequenas diferenças culturais que Shaw encontrou depois de se mudar da Jamaica para a Califórnia para estudar na Universidade Stanford. Mas, em comparação com algumas das grandes perguntas que ele tinha antes de sair de casa — como se adaptaria a um novo sistema acadêmico, como seria a vida universitária e se suas experiências na Jamaica seriam úteis em uma universidade americana —, entender a expressão “What’s up?” foi relativamente fácil.

Shaw nasceu e cresceu na Jamaica, onde estudou até o 13º ano. Nos últimos anos do ensino médio, estudar no exterior foi aos poucos se tornando uma possibilidade. Ex-alunos de sua escola falavam de universidades como Harvard, Yale, Stanford, Oxford e a Universidade de Toronto.

“No começo, essas opções parecem interessantes”, disse Shaw. “Talvez seja para mim. Quem sabe a gente descubra.”

No 11º e no 12º ano, ele começou a pesquisar seriamente sobre universidades no exterior. Acabou se candidatando a instituições nos Estados Unidos e no Canadá e foi aceito em Stanford pela modalidade Restrictive Early Action.

Em busca de liberdade acadêmica

Um dos principais motivos pelos quais Shaw queria estudar no exterior era a oportunidade de explorar diferentes áreas de estudo.

Na Jamaica, explicou ele, muitas universidades exigem que os estudantes se candidatem a um curso específico e passem boa parte da graduação cumprindo seus requisitos. Stanford oferecia algo diferente: os alunos podiam ingressar na graduação sem se candidatar a uma área de formação ou faculdade específica, o que lhes dava espaço para explorar diferentes campos.

Shaw já sabia que gostava de biologia e de disciplinas relacionadas, mas não queria decidir de imediato exatamente como seria sua trajetória acadêmica.

“Eu queria muito ir para um lugar onde não precisasse dizer: ‘Certo, vou fazer isso. Vou entrar nessa faculdade, sim, mas vou estar nesse curso e vou ter que fazer esta disciplina, esta e esta’”, disse ele.

Em Stanford, essa liberdade o apresentou a áreas como biologia computacional e bioengenharia. A oportunidade de fazer pesquisa e aprender com os professores era outro atrativo. Shaw também tinha interesse em conhecer estudantes e professores de todo o mundo, algo que combinava com seu interesse por experiências internacionais.

Para ele, estudar no exterior tinha menos a ver com deixar a Jamaica para trás e mais com ganhar liberdade para explorar possibilidades de acesso mais difícil em seu país.

Candidatar-se a partir da Jamaica

Esse processo trouxe seus próprios desafios.

Um dos maiores foi explicar o sistema educacional jamaicano às universidades estrangeiras. Em vez de seguir uma estrutura que vai da educação infantil ao 12º ano, os estudantes jamaicanos podem continuar até o 13º ano, com diferenças nas disciplinas e nos exames em relação aos Estados Unidos.

Shaw também fez os exames do Caribbean Examinations Council, ou CXC. Explicar essas qualificações e as oportunidades a que ele havia tido acesso exigiu contextualização por parte de sua escola e dos responsáveis pelas admissões.

Felizmente, contou Shaw, o responsável pelas admissões de Stanford em sua região tinha experiência com o CXC, enquanto seu orientador escolar conseguiu explicar o sistema educacional jamaicano e sua formação acadêmica.

O acesso a oportunidades extracurriculares era outra diferença.

Em Stanford, Shaw conheceu estudantes que haviam participado de pesquisas extensas já no 9º e no 10º ano. Na Jamaica, disse ele, as oportunidades para alunos do ensino médio trabalharem em laboratórios universitários de pesquisa experimental eram, em geral, muito menos acessíveis.

Em vez de encarar essa falta de acesso como um motivo para desistir de seus interesses, Shaw procurou outras maneiras de explorá-los.

“Você tem que dizer: ‘Certo, como posso explorar meus interesses? Como posso fazer a diferença de outra forma?’”, disse ele.

Isso significava encontrar formas alternativas de aprender sobre biologia e outras disciplinas, mesmo sem ter acesso às oportunidades convencionais disponíveis para alguns estudantes americanos.

Liderança antes de Stanford

Grande parte da experiência de Shaw no ensino médio girou em torno da liderança.

Em seu último ano, ele foi head boy, uma posição de liderança no sistema escolar de tradição britânica, aproximadamente equivalente à de representante principal dos alunos ou monitor-chefe. Em sua escola, ajudou a liderar cerca de 100 monitores, coordenando horários e tarefas em colaboração com a direção e os estudantes. A função também o ensinou a pensar rápido diante de imprevistos.

Às vezes, contou Shaw, alguém da direção lhe pedia que fizesse um discurso de agradecimento em um evento, com pouco ou nenhum tempo para se preparar. Em outras ocasiões, os eventos não saíam como planejado, exigindo que ele e sua equipe se adaptassem.

Essas experiências foram uma preparação útil para a faculdade.

Ele também participava do clube ambiental de sua escola, Green Generation, e do Medics Club. Com o Green Generation, participou de atividades como mutirões de limpeza de praias, enquanto o Medics Club organizava programas de reanimação cardiopulmonar.

Juntas, essas experiências deram a Shaw oportunidades de planejar eventos, trabalhar com outras pessoas e explorar interesses fora da sala de aula.

Descobrindo Stanford

Apesar da empolgação com a ideia de estudar no exterior, Shaw tinha algumas preocupações antes de chegar a Stanford.

Ele se perguntava como seria dividir o quarto com outra pessoa, se conseguiria equilibrar os estudos com as atividades extracurriculares e a vida social, e o que significaria viver a experiência universitária como estudante internacional.

Mas havia algo que ele não queria fazer: deixar que as experiências de outras pessoas determinassem suas expectativas.

Ele tinha ouvido histórias sobre colegas de quarto difíceis e professores que supostamente queriam reprovar os alunos. Em vez de presumir que viveria essas mesmas experiências, Shaw preferiu conhecer Stanford por conta própria.

Essa postura moldou sua percepção da universidade.

Parte do que o atraía em Stanford não era apenas a qualidade acadêmica, mas também sua cultura. Ele se interessou por tradições como Big Tree, a mascote não oficial de Stanford, e a Leland Stanford Junior University Marching Band, conhecida por seus figurinos e apresentações pouco convencionais.

Ele também gostou da importância que a universidade dava à diversão junto com a dedicação aos estudos.

“Há um ditado que diz que os estudantes de Stanford levam o trabalho a sério, mas não se levam tão a sério”, disse Shaw.

Para Shaw, esse equilíbrio era importante. Ele queria um ambiente academicamente desafiador, mas também queria aproveitar a vida de universitário.

Adaptando-se a uma nova cultura

Mudar-se da Jamaica para os Estados Unidos também alterou as expectativas de Shaw sobre a cultura universitária.

Antes de chegar, ele tinha ouvido descrições das universidades de elite como ambientes altamente competitivos ou “sem piedade”. Sua experiência em Stanford foi diferente.

Ele contou que os estudantes que conheceu apoiavam uns aos outros e comemoravam as conquistas alheias, em vez de tratar os colegas como concorrentes.

“Se você tem sucesso, se consegue aquele estágio, se passa naquela disciplina, se vai muito bem, todas as pessoas que você conhece estão lá para apoiar você”, disse ele.

A adaptação nem sempre foi complicada. Às vezes, era apenas uma questão de aprender pequenos detalhes da cultura americana no dia a dia, como entender o que alguém quer dizer ao perguntar casualmente: “What’s up?”.

Depois de muitas conversas, Shaw entendeu a resposta.

Agora, ele mesmo usa a expressão sem pensar duas vezes.

Para Shaw, porém, a grande transição da Jamaica para Stanford tem a ver com algo muito mais profundo: a oportunidade de explorar interesses, conhecer pessoas de diferentes origens e construir uma trajetória acadêmica que ele não precisava definir de uma só vez.

Estudar no exterior não apagou as diferenças entre o lugar onde ele cresceu e aquele onde estuda agora. Em vez disso, deu a ele a chance de aprender a lidar com essas diferenças por conta própria e descobrir o que queria de cada um desses lugares.

Graduation Cap
Every university, now within reach with Kai
Get started with Kai
author image

Jonathan
de Jamaica 🇯🇲

Duração

ago 2025 — mai 2029

Bioengineering

Stanford University

Stanford University

Stanford, US🇺🇸

✍️ Entrevista por

😀

Julie de