Minha história
Sou Blendi, estudante de mestrado no CERGE-EI de Praga, e quando estava terminando minha graduação na Universidade de Pristina, me deparei com uma escolha que muitos estudantes no Kosovo enfrentam. Eu podia ficar em casa e fazer um mestrado lá ou começar minha carreira imediatamente, ou podia fazer as malas e ir para o exterior.
Foram meus professores que realmente me incentivaram a olhar além. No Kosovo, o sistema educacional de economia é bastante tradicional. Ele se concentra mais nas características específicas do nosso setor privado local do que no lado matemático e científico da área. Eles me disseram que, se eu quisesse uma perspectiva diferente e um conhecimento mais profundo, eu precisava ver como o resto do mundo faz.
Agora que estou terminando meu mestrado em pesquisa econômica no CERGE-EI, posso dizer que eles definitivamente tinham razão. Sair de casa não foi apenas para obter um diploma. Foi para preencher as lacunas no meu conhecimento e provar a mim mesmo que um estudante de um país em desenvolvimento como o meu consegue se manter no mundo acadêmico internacional.
Por que escolhi o caminho difícil
Sempre me interessei por matemática e ciências, mas também sou uma pessoa sociável. Quero que meu trabalho tenha um impacto real na vida das pessoas. A economia me pareceu a ponte perfeita entre esses dois mundos. Especialmente em um país como o Kosovo, precisamos de pessoas que entendam os dados, mas que também saibam se comunicar e contribuir com a sociedade.
Soube cedo que queria seguir a carreira acadêmica. Trabalhei um pouco no setor privado, mas nunca senti que poderia dar o meu melhor lá. Para fazer uma contribuição real, especialmente na era da IA, uma graduação simplesmente não é mais suficiente. Precisava aprender a fazer pesquisa de verdade, algo que eu não havia dominado completamente em casa.
Navegando pelo labirinto das candidaturas
Candidatar-se para um mestrado enquanto ainda está terminando a graduação dá muito trabalho. O maior desafio para mim foi a falta de conexões. Quando você vem de uma universidade nova em um país em desenvolvimento, muitas instituições internacionais nunca ouviram falar da sua escola e eu precisava descobrir como superar essa lacuna.

Entrei em contato com pessoas do meu departamento que já tinham ido para o exterior. Elas me ajudaram a aprimorar meu currículo e me disseram a quais professores pedir cartas de recomendação. Acabei pedindo a cerca de dez professores diferentes que escrevessem cartas para mim, para poder escolher as mais sólidas para cada candidatura.
Também passei meses me preparando para o exame IELTS. Todo mundo no Kosovo fala um pouco de inglês, mas fazer um teste acadêmico padronizado é diferente. Comecei todo o processo em setembro do meu último ano de graduação e não parei até que tudo fosse enviado.
A realidade do financiamento e das escolhas
Sendo honesto, o Reino Unido era minha primeira opção pela reputação e pelo idioma. Fui aceito nos programas para os quais me candidatei lá, mas a parte financeira foi um obstáculo enorme. As bolsas disponíveis para estudantes kosovares são frequentemente limitadas ou têm requisitos muito específicos sobre experiência de trabalho que eu ainda não tinha, pois ainda estava na faculdade.

Foi assim que acabei em Praga. Minha instituição, o CERGE-EI, era incrivelmente acessível. Na época em que me candidatei, não havia taxa de inscrição e o programa em si é gratuito. Minha família me ajuda com os custos de moradia, que são muito mais razoáveis aqui do que em Londres. Foi uma decisão prática que me permitiu continuar avançando sem tirar um ano sabático.
Superando a defasagem acadêmica
A transição do Kosovo para Praga foi um choque de realidade. Na graduação, tocamos em estatística e econometria, mas não aprofundamos. Quando cheguei aqui, tive que trabalhar o dobro para me nivelar. Passei meu primeiro ano apenas tentando me conectar com os estudantes da República Tcheca e de outros lugares.

Mas o que há de bonito nisso é que você converge. No meu segundo ano, sentia que estava no mesmo nível, talvez até um pouco à frente em algumas áreas. O aprendizado aqui é muito independente. Os professores te dão um prazo e te deixam por conta. Você precisa ter a disciplina de procurá-los e a coragem de fazer perguntas.
Meu conselho para os estudantes em casa
Se você é estudante no Kosovo ou em qualquer outro lugar e está pensando em ir para o exterior, meu melhor conselho é simples. Só vai. Não pense demais se você é qualificado o suficiente. Somos todos humanos. Não há diferença biológica entre um estudante do Kosovo e um estudante dos EUA ou da China. Se eles conseguem, você também consegue.
Também recomendo fazer um intercâmbio Erasmus, se puder. Isso prova para futuras universidades que você consegue se adaptar a um ambiente diferente. E quando estiver no exterior, não fique só no seu quarto estudando. Saia e conheça pessoas. Essas conversas e perspectivas diferentes são tão importantes quanto os livros que você lê.
Meu objetivo sempre foi o mesmo. Quero terminar meu doutorado e eventualmente voltar ao Kosovo. Quero pegar o que aprendi sobre inferência causal e políticas públicas e aplicar lá. Seja ensinando ou trabalhando com institutos de pesquisa, quero ajudar a tornar nossas políticas públicas mais eficazes. Foi uma longa jornada de Gjilan até Praga, mas cada desafio valeu a pena.


