Minha história
Sou Klesta, e sempre vivi em dois mundos diferentes. Na escola Xhevdet Doda, no Kosovo, eu era a menina fascinada pela matemática e pelas olimpíadas acadêmicas. Mas também era a menina com o microfone na mão, cantando e tocando piano. Quando chegou a hora de pensar em faculdades, eu sabia que não queria apenas um diploma. Queria uma experiência que me permitisse manter vivas as duas versões de mim mesma e, finalmente, provar o gosto da verdadeira independência.
Tenho 19 anos e atualmente curso Modelagem Matemática e Análise de Dados na Constructor University, na Alemanha. Sair da casa dos meus pais para um novo país foi exatamente o salto de crescimento que eu precisava. Queria aquela vida universitária clássica ao estilo americano, onde você mora e estuda no campus, mas também queria ficar relativamente perto de casa. A Alemanha acabou sendo o meio-termo perfeito: apenas duas horas de voo de casa, mas um mundo completamente diferente.
Decifrando o processo seletivo
O processo de candidatura foi uma lição de resistência. Comecei a me preparar no 11.° ano e decidi atacar primeiro o SAT, porque sabia que a seção de inglês seria um desafio. Fiz o SAT duas vezes. Na primeira, coloquei toda a energia na parte de matemática; na segunda, foquei no inglês. No final, tinha um superscore de 1500: 780 em matemática e 720 em inglês.
Depois do SAT, parti para o TOEFL. Minha estratégia foi um pouco inusitada. Usei todos os recursos online convencionais, mas também passei dias andando pela minha casa, falando comigo mesma em inglês para me sentir à vontade com o idioma. Funcionou, e terminei com 111 de 120. Quanto ao meu histórico escolar, tinha média 5.0, mas precisei autenticar as notas e convertê-las para o sistema alemão. Não foi tão difícil quanto imaginei; é só encontrar os profissionais certos para cuidar da burocracia.
A arte na minha candidatura
Uma coisa que me preocupava muito era como me apresentar. Tinha prêmios de matemática e horas de voluntariado na sociedade de matemática, mas não queria ser apenas uma lista de números. Nos meus ensaios, escrevi sobre a ponte entre ser uma pessoa artística e apaixonada pela matemática. Falei sobre como o canto e a música se relacionam com a forma como penso sobre ciência.
Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com a minha versão de 17 anos, diria para parar de ser tão perfeccionista. Passei tanto tempo obcecada com cada palavra dos meus ensaios que ficou exaustivo. Cuidar da qualidade é importante, mas em algum momento é preciso confiar na sua própria voz e apertar enviar. Você nunca tem tanto tempo quanto pensa.
A vida no campus da Constructor
Escolhi a Constructor University porque é uma bolha internacional bem no coração da Alemanha. Tudo é ensinado em inglês, então não precisei tirar um ano sabático para aprender alemão antes de começar. Além disso, o curso não é só teoria pura. Tenho aulas de Python, estruturas de dados e modelagem computacional junto com teoria dos números e álgebra.

A primeira semana no campus foi uma loucura. Eu não estava nervosa, mas incrivelmente animada. A universidade organiza tantos eventos para você conhecer pessoas que quase se esquece que está lá para estudar. Aí as aulas começam de verdade e a realidade bate. Você percebe que esse é o curso com o qual sempre sonhou, que vai dar muito trabalho, mas que todo mundo ao seu redor está no mesmo barco.
Encontrando minha harmonia
Também consegui manter minha música viva aqui. Uma amiga e eu criamos uma banda chamada The Sleepyheads, e nos apresentamos em eventos do campus sempre que podemos. É a escapada perfeita da intensidade da análise de dados. Também sou ativa no clube de matemática, no lado de relações públicas e gestão, o que me mantém bem ocupada.
Viver no campus me ensinou muito sobre as pessoas. No início, você convive com todo mundo, mas com o tempo aprende a encontrar a sua própria turma. Você precisa decidir se está aqui para festar toda noite ou se quer encontrar o equilíbrio entre estudar e se divertir. Meus pais ajudam a cobrir meus custos, e a universidade me deu uma meia bolsa que foi incluída automaticamente quando me candidatei.
Olhando para frente, já estou pensando em um mestrado ou até um doutorado, talvez em finanças matemáticas. Mas por enquanto, estou aproveitando a vida que construí aqui. É uma mistura de muitas coisas: matemática, música e a liberdade que fui buscar dois anos atrás. Estou feliz por ter dado esse salto.




