Aos 18 anos, eu não me definiria por uma única paixão ou caminho profissional, e isso, por muito tempo, pareceu uma desvantagem. Sempre fui profundamente curiosa: pinto, escrevo, debato, exploro a política e busco constantemente novos desafios. Se alguém me pedisse para resumir meus interesses em uma palavra, eu não conseguiria. Mas, com o tempo, percebi que a própria curiosidade é uma identidade, e foi ela que, em última análise, moldou minha jornada até o Programa TechGirls.
Escolhendo a honestidade em vez da perfeição
Quando ouvi falar do TechGirls pela primeira vez por uma amiga próxima, me interessei imediatamente — mas também me senti intimidada. É um programa altamente competitivo e, mesmo entre candidatas talentosas, muitas não chegam à fase de entrevista. Como muitos estudantes, inicialmente senti a pressão de "se encaixar" no que eu achava que o programa procurava: uma paixão clara e linear por STEM.

No entanto, ao trabalhar na minha candidatura, fiz uma escolha deliberada — seria honesta.
Em vez de limitar meu perfil a uma única narrativa, apresentei tudo o que me define. Falei sobre meu interesse em medicina e programação, bem como minha paixão por debate, sistemas políticos, arte e escrita. Recusei-me a simplificar minha identidade para torná-la mais "aceitável". Embora tenha recebido conselhos para afunilar meu foco, escolhi a autenticidade em vez da estratégia.
Olhando para trás, acredito que essa decisão fez toda a diferença.
O poder de ser multifacetada
Existe um equívoco comum de que candidatas bem-sucedidas devem parecer perfeitamente alinhadas a uma única área. Na realidade, o que aprendi é que a curiosidade interdisciplinar pode ser uma força. Meus interesses em política, por exemplo, me permitiram pensar criticamente sobre como o STEM se intersecta com a sociedade — como sistemas de poder e políticas públicas moldam a tecnologia, a saúde e a inovação.

Durante minha entrevista, reforcei essa ideia não apenas por meio de palavras, mas pelo meu próprio ambiente. Atrás de mim estavam minhas pinturas, minha fotografia e trechos da minha escrita — prova visual das muitas dimensões de quem sou. Quando me perguntaram sobre meus interesses, não filtrei minha resposta. Compartilhei tudo.
E essa honestidade ressoou.
Enfrentando o medo no processo de entrevista
Apesar da minha preparação, a entrevista foi uma das partes mais desafiadoras do processo. Em um momento, fui questionada com uma pergunta política complexa, que exigia não apenas pensamento crítico, mas também coragem. Como alguém ciente dos possíveis vieses em espaços institucionais, hesitei. Perguntei-me se expressar minha opinião verdadeira poderia prejudicar minhas chances.
Mesmo assim, escolhi responder com sinceridade.
Falei sobre minhas perspectivas, conectando-as a questões mais amplas, como empatia e dinâmicas sociais. Mesmo sentindo que não havia articulado minha resposta perfeitamente, permaneci fiel aos meus valores. Quando a entrevista terminou, estava convicta de que não havia me saído bem.
Eu estava errada.
Da dúvida à aceitação
Quando recebi minha aceitação no Programa TechGirls, minha reação não foi de alegria imediata — mas de alívio. Por dias, havia sido consumida pela dúvida, repassando cada resposta, cada pausa, cada imperfeição. A aceitação pareceu uma validação silenciosa: eu havia sido suficiente o tempo todo.
Aquele momento mudou a forma como me vejo, não apenas como candidata, mas como pessoa.
Além do STEM: uma experiência humana
Participar do TechGirls não foi apenas sobre desenvolver habilidades técnicas; foi sobre compreender pessoas, culturas e perspectivas. Uma das lições mais importantes que aprendi é que o STEM não existe de forma isolada; está profundamente conectado às experiências humanas, às desigualdades e às realidades globais.

Por meio da colaboração, das conversas e dos desafios compartilhados, vi como diferentes origens moldam nossa abordagem à resolução de problemas. Isso reforçou minha crença de que a inovação requer não apenas conhecimento técnico, mas também empatia e abertura.
Uma mensagem para futuras candidatas
Se há uma lição que eu compartilharia com qualquer pessoa que esteja considerando se inscrever em programas como o TechGirls, é esta: não se desqualifique antes mesmo de tentar. O medo é frequentemente a maior barreira, não a falta de capacidade. Muitas pessoas decidem não se inscrever porque assumem que não são "boas o suficiente". Mas a verdade é que o crescimento vem do primeiro passo, mesmo quando o resultado é incerto. Você não precisa ter tudo resolvido. Você não precisa se encaixar em uma única categoria. Você só precisa estar disposta a tentar e a ser honesta sobre quem você é. Porque às vezes, o que te faz sentir insegura é exatamente o que te faz se destacar.


