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5 de maio de 2026

De Lima à UC Berkeley: Perseguindo a Engenharia Aeroespacial Além das Fronteiras

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Rodrigo de Peru 🇵🇪

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  1. Origem e Primeiras Aspirações
  2. Navegando pelo Processo de Admissão Universitária
  3. Perfil Acadêmico, Extracurriculares e Conquistas
  4. Redação Pessoal: As Histórias por Trás da Minha Candidatura
  5. O Apoio Que Tornou Tudo Possível
  6. Adaptando-se a um Novo Ambiente
  7. Construindo Além de Berkeley
  8. Encontrando Meu Lugar em Berkeley
  9. Olhando para o Futuro: Entre Limites e Possibilidades

Rodrigo Martinez é estudante de graduação em Engenharia Aeroespacial na Universidade da Califórnia, Berkeley, originalmente de Lima, Peru. Atualmente, ele é membro da Equipe de Propulsão do STAR (Space Technologies and Rocketry), onde contribui para o desenvolvimento e análise de sistemas experimentais de foguetes. Além disso, Rodrigo é Fundador e Diretor do Space Connections, uma iniciativa bilíngue que conecta estudantes de toda a América Latina à ciência espacial e à engenharia. Sua experiência inclui simulação e estudos comparativos em aerodinâmica de alta altitude pela Space Enterprise at Berkeley (SEB), além de ter atuado como Vice-Presidente do Comitê de Pesquisa do American Institute of Aeronautics and Astronautics (AIAA) Berkeley Student Branch.

Origem e Primeiras Aspirações

Sou de Lima, Peru, embora tenha raízes na região andina de Huánuco pelo lado da minha mãe. Estudei no Colegio Mixto Santa Teresita, e meu interesse em estudar no exterior começou com um objetivo muito específico: cursar Engenharia Aeroespacial.

Quando estava no primeiro ano do ensino médio, comecei a pesquisar opções e percebi que países como Alemanha, Estados Unidos e Holanda ofereciam não apenas programas especializados nessa área, mas também acesso a agências e empresas líderes, como NASA, Airbus e SpaceX. Havia todo um ecossistema no exterior que simplesmente não existia em casa.

Motivado por isso, me inscrevi na Beca Cometa no meu último ano de ensino médio, em 2023. Após me formar, passei o final de dezembro me preparando para as próximas etapas e, em 2024, fui aceito na UC Berkeley, onde iniciei meus estudos em agosto. Estou agora no meu segundo ano.

Navegando pelo Processo de Admissão Universitária

Para algumas universidades, me inscrevi em Engenharia Mecânica; para outras, em Engenharia Aeroespacial, dependendo principalmente se ofereciam o curso. Na UC Berkeley, o programa é relativamente novo, mas é incrivelmente dinâmico, com ótimas oportunidades e fortes vínculos com organizações como a NASA. As empresas se engajam ativamente com os estudantes aqui, os professores são genuinamente dedicados, e há até visitas a centros de pesquisa como a NASA Ames, na Califórnia. De modo geral, o que a universidade oferecia pareceu ao mesmo tempo rigoroso e completo.

O processo de candidatura em si é bastante padrão. Muitas universidades adotaram uma política de testes opcionais, e algumas foram ainda mais longe. A UC Berkeley, por exemplo, é test-blind, ou seja, não considera pontuações do SAT ou ACT durante o processo de admissão, mesmo que sejam enviadas. O desempenho acadêmico é importante — você realmente precisa dar o seu melhor —, mas as atividades extracurriculares também têm um peso significativo. São elas que mostram suas paixões e como você as perseguiu além da sala de aula.

As redações, no entanto, são onde tudo se une. Contar a sua história — o que você quer estudar, seus objetivos de longo prazo e por que aquela universidade específica — importa mais do que as pessoas às vezes percebem. Tive a oportunidade de ter um mentor que me apoiou durante todo o processo, e acabei escrevendo redações diferentes, adaptadas a cada universidade. Mais do que tudo, foi uma jornada composta por muitas etapas, cada uma moldando o meu caminho.

Perfil Acadêmico, Extracurriculares e Conquistas

Meu GPA, na escala peruana de 0 a 20, foi de 19,65/20. Ainda assim, você não precisa de uma nota perfeita — o que mais importa é fazer o seu melhor de forma consistente ao longo do ensino médio. Fiz o TOEFL e tirei 104 de 120; mirar acima de 100 é uma boa referência, e qualquer coisa acima de 105 é ainda mais forte. Minha pontuação no SAT foi 1430 de 1600. Como mencionei antes, a UC Berkeley não dá grande peso ao SAT, mas se você estiver se candidatando a universidades que valorizam, mirar 1500 ou mais é uma boa meta.

Além das notas, o que realmente conta é o esforço que você dedica a tudo o que faz. Em termos de extracurriculares, muitas das minhas atividades aconteceram fora da escola. Participei de competições em nível nacional, como o Festival de Matemática ADECOPA em 2019. Também recebi uma bolsa de estudos durante todo o ensino médio, começando com 50% no primeiro ano, 70% no segundo, e depois bolsa integral até a formatura. Esse apoio significou muito para mim, e sempre serei grato por ele!

Me envolvi em atividades como xadrez e matemática, joguei futebol por um ano e frequentemente ajudava meus colegas com matérias como matemática, química e física. Após me formar, passei a me envolver mais com voluntariado, ingressando em organizações internacionais como a Make The Difference. Também entrei em um programa sediado no Chile, a Academy into Space, que atua em toda a América Latina, e criei um perfil de divulgação científica.

Uma coisa que aprendi é que não basta apenas começar projetos — é preciso sustentá-los. Esse perfil de divulgação acabou evoluindo para o Space Connections. Ao ingressar na universidade, expandi a iniciativa recrutando voluntários de toda a América Latina. Com o apoio da Embaixada dos EUA no Peru, organizamos eventos com profissionais peruanos que trabalham na NASA — mas isso faz parte de um capítulo mais recente.

Também fiz parte da Latin American Leadership Academy (LALA) e atualmente estou envolvido com o Centro de Pesquisa Intinauta.

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Redação Pessoal: As Histórias por Trás da Minha Candidatura

Ao se candidatar à UC Berkeley, você recebe oito propostas de redação e precisa escolher quatro. Escolhi temas que refletiam genuinamente quem eu sou. Em uma, escrevi sobre minha decisão de seguir a engenharia aeroespacial e a resiliência que isso exigiu. Em outra, compartilhei a história da minha família, as raízes da minha mãe nos Andes, e como isso moldou meus valores — especialmente meu desejo de ser um modelo para o meu irmão mais novo.

No coração das minhas redações estava uma história de resiliência. Crescendo em um ambiente familiar difícil, testemunhei conflitos e instabilidades que afetaram minha família. Minha mãe enfrentou dificuldades financeiras, e eu me envolvi onde podia — ajudando em pequenos trabalhos, apoiando seu trabalho e assumindo responsabilidades em casa. Houve momentos em que equilibrar a escola com esses desafios parecia impossível, mas essas experiências me impulsionaram a crescer. Elas se tornaram a razão pela qual trabalhei mais, eventualmente conquistando uma bolsa integral e me formando entre os melhores da turma.

Outra parte da minha história focou no ensino e na liderança. O que começou como ajudar meu irmão mais novo com os estudos se transformou em uma paixão mais profunda por compartilhar conhecimento. Com o tempo, isso cresceu e me levou a me envolver com organizações juvenis, onde contribuí com workshops, projetos e iniciativas que alcançaram estudantes em toda a América Latina.

Também escrevi sobre meu fascínio pelo espaço. Desde pequeno, fui atraído pelas estrelas, por questões sobre vida além da Terra e por entender como as coisas funcionam. Mesmo que a engenharia aeroespacial não seja amplamente disponível no Peru, busquei formas de explorá-la por conta própria — por meio de cursos online, projetos pessoais e criando plataformas para compartilhar o que estava aprendendo. De construir pequenos projetos de robótica a liderar uma equipe no NASA Space Apps Challenge, encontrei formas de transformar ideias em ação.

O Apoio Que Tornou Tudo Possível

A Beca Cometa foi uma das partes mais importantes da minha jornada de candidatura. Por meio do programa, recebi uma preparação estruturada à qual não teria acesso de outra forma. Eles custearam aulas no Instituto Cultural Peruano Norteamericano (IPCNA) — não focadas em aprender inglês do zero, mas em dominar as estratégias para os testes.

Também usamos uma plataforma para me preparar para o SAT, onde pratiquei com questões de exemplo e aprendi técnicas para melhorar meu desempenho. Além dos exames, tive o apoio de uma orientadora do Paraguai que me guiou de perto, especialmente no que diz respeito às atividades extracurriculares. Muitos estudantes sabem o que fizeram, mas não sabem como apresentá-lo de forma que ressoe com os avaliadores de admissão. Essa orientação fez uma diferença real.

Ela também me apoiou no processo de escrita das redações, me ajudando a moldar minhas ideias e comunicar minha história com clareza e autenticidade. Além da preparação técnica, a Beca Cometa me conectou com estudantes incrivelmente talentosos que hoje estudam no exterior em universidades como MIT, Brown, Dartmouth e NYU. Também formei um grupo próximo de amigos peruanos, seis dos quais estão agora em Berkeley. Mais do que tudo, o programa me deu tanto as ferramentas quanto a comunidade para navegar por esse caminho.

Adaptando-se a um Novo Ambiente

Adaptar-me à vida em Berkeley foi, no início, um pouco avassalador. Era a primeira vez que saía do Peru, a primeira vez que ficava longe da minha família, e de repente estava imerso em um ambiente completamente novo. Mesmo falando inglês, não era minha primeira língua, e entender o slang cotidiano, expressões informais e conversas naturais era algo para o qual nenhuma sala de aula havia me preparado completamente.

Ao mesmo tempo, havia diferenças culturais que não esperava. Existe frequentemente a ideia de que as culturas latino-americanas são mais calorosas e expressivas, e de fato percebi que as dinâmicas sociais na Califórnia pareciam diferentes nesse sentido. Não era algo negativo — apenas novo.

Com o tempo, porém, tudo passa a fazer parte do processo de aprendizado. Você se adapta, aos poucos. Começa a entender não apenas o idioma, mas o ambiente, as pessoas e a si mesmo dentro dele. Não é um único momento de adaptação — é uma jornada contínua, que continua a te moldar todos os dias.

Construindo Além de Berkeley

Na UC Berkeley, meu envolvimento vai muito além da vida acadêmica. Atualmente faço parte do American Institute of Aeronautics and Astronautics (AIAA), onde atuo como Vice-Presidente do Comitê de Pesquisa. Por meio desse papel, também contribuo como assistente de ensino em um curso criado por estudantes chamado DeCal. Essas aulas são desenvolvidas e ministradas por alunos, com foco em temas como como conduzir pesquisas na área aeroespacial e como se engajar em conferências do setor. Na verdade, fiz esse curso durante meu primeiro ano, e ele me inspirou a retornar como instrutor no segundo.

Ao mesmo tempo, mantive conexão com oportunidades no Peru. Faço parte do Intinauta, uma iniciativa de pesquisa que recomendo fortemente a qualquer pessoa interessada no setor espacial em casa. É um espaço multidisciplinar onde os estudantes exploram áreas como engenharia aeroespacial, astronomia, ciência da computação e até medicina. Esse programa não existia quando eu estava me candidatando, mas é animador ver como o ecossistema está crescendo.

Também lidero uma equipe dentro do RocketLab, um laboratório focado no desenvolvimento de protótipos de foguetes. Embora costumasse participar presencialmente durante meu tempo no Peru, agora contribuo remotamente de Berkeley, continuando o trabalho junto com a equipe. Além disso, fui selecionado como Engenheiro de Tripulação para a Equipe Peru VI em The Mars Society, onde participei de uma missão análoga marciana de duas semanas na Mars Desert Research Station (MDRS), em Utah. A experiência envolve a realização de experimentos e a simulação de missões espaciais reais em um ambiente controlado.

Junto com essas iniciativas, continuo liderando o Space Connections, trabalhando com uma equipe de estudantes dos Estados Unidos para desenvolver e expandir projetos que aproximam a engenharia aeroespacial de mais estudantes.

Fora da vida acadêmica, também reservo espaço para o lazer. Faço parte de um time de futebol, o que tem sido uma forma de reconectar com algo familiar. Jogava futebol no ensino fundamental e basquete no ensino médio, mas quando cheguei aqui, percebi rapidamente que o nível de competição era diferente. Com 1,76 metro, me vi em desvantagem no basquete, então, como muitos sul-americanos, voltei para o futebol. Tornou-se uma forma de relaxar e manter os pés no chão em meio a tudo mais.

Encontrando Meu Lugar em Berkeley

Quando se trata de amizades, a maior parte do meu círculo próximo é peruano — amigos com quem iniciei essa jornada, junto com outros que conheci após chegar. Também construí conexões dentro do meu curso, especialmente com estudantes americanos de origem latino-americana, além de outros estudantes americanos. Somos um grupo relativamente pequeno — em torno de seis ou sete pessoas —, e essas amizades se formaram cedo, por meio de aulas e experiências compartilhadas. Com o tempo, percebi que tínhamos interesses, objetivos e formas de ver as coisas semelhantes, o que tornou essas conexões naturais.

O networking é algo que aprendi por meio da Beca Cometa. Seja em conferências acadêmicas ou apresentações, trata-se de fazer perguntas, ouvir e ser aberto nas conversas. Nem sempre é fácil. Embora eu me considere introvertido, aprendi que se colocar à disposição realmente vale a pena. Procuro expressar minhas ideias, manter a curiosidade e abraçar o processo de aprendizado.

Houve um momento durante meu primeiro ano que ficou gravado em mim. Em uma sessão no Space Sciences Laboratory, um professor disse que se você se sente a pessoa com menos conhecimento na sala, provavelmente está no lugar certo. Isso significa que você está rodeado de pessoas com quem pode aprender. Se você é sempre o que mais sabe, seu crescimento se torna limitado. Essa perspectiva mudou a forma como vejo os desafios — não como algo a evitar, mas como prova de que estou exatamente onde preciso estar.

Olhando para o Futuro: Entre Limites e Possibilidades

Ao olhar para o futuro, estou ciente de que construir uma carreira nos Estados Unidos como estudante internacional traz desafios reais. Existem regulamentações rígidas que dificultam o trabalho em certos setores, especialmente os relacionados à aeroespacial e à defesa. Como engenheiro aeroespacial, o mesmo conhecimento usado para projetar um foguete também pode ser aplicado à tecnologia de mísseis, razão pela qual o acesso a essas indústrias é tão restrito. É uma realidade que não depende apenas de esforço ou preparação, mas também de políticas além do meu controle.

Ainda assim, essa incerteza não mudou minha direção — apenas me fez pensar de forma mais estratégica sobre ela. Estou considerando seriamente fazer um doutorado, possivelmente em instituições como Berkeley, MIT ou Stanford, onde há um forte foco em astronáutica e pesquisa avançada. Ainda estou explorando minhas opções, mas sei que quero continuar avançando, aprendendo e encontrando formas de permanecer conectado à área.

No fim das contas, minha jornada nunca foi sobre seguir um caminho reto. Foi sobre adaptar-me, encontrar alternativas e continuar apesar dos limites. E é exatamente assim que planejo encarar o que vem a seguir.

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Rodrigo
de Peru 🇵🇪

Duração dos Estudos

ago 2024 — mai 2028

Bachelor

Aerospace Engineering

University of California-Berkeley

University of California-Berkeley

Berkeley, US🇺🇸

✍️ Entrevista por

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Valery de Peru 🇵🇪

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